quinta-feira, 23 de outubro de 2008

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Tive que ter sido assaltado, para me encorajar a fazer meu blog de exclamações e observações sobre o que eu penso e o quão insignificante, talvez, isso seja diante de um trinta e oito que gelara minha barriga. Nenhum sentimento me passou a não ser ejacular aqui o que em mim já estava amargando e que por preguiça mental (doença moderna que um dia nos levará a sermos iguais a vegetais) nunca tivera a coragem. Mórbido, mas devo agradecer àqueles que me puseram uma arma diante de tal realidade, estamos perdidos como sociedade, andando em esteiras sem alcançar e sentir o gosto do queijo da civilização. E talvez, neste país nunca alcancemos.

Não fora raiva, nem medo que me aflorara na mente no momento do assalto e sim inconformismo, cansaço e indignação. Não por ter um par de fones de ouvido e um mp3 roubados,e sim por saber que isso ocorre em qualquer canto do país e de não termos dentro do nosso território brasileiro a possibilidade de se comparar onde não há isso. Inconformismo e cansaço de saber que mais dois moleques irão me assaltar daqui um futuro próximo e muitos outros que por ai andam como eu.

Ai entra a velha balela, a culpa é das autoridades, as autoridades lavam as mãos tanto nessa situação quanto após apertarem as mãos do povo em período eleitoral. E assim uma mão vai lavando a outra. Eu no meu eterno pedágio para comunidade carente e sem oportunidade e eles vendando os olhos para aqueles que um dia irão por uma bala na cabeça de seus filhos. Preferem continuar com leis de segurança que nunca entram na moda, do que substituir as armas nas mãos de gente cada vez mais jovem que herdou a miséria e a falta de expectativa de vida.

Canso-me de ver em minha volta que o brasileiro deve ser solidário, que deve ser prestativo e ajudar ao próximo e que se cada um fizer a sua parte tudo vai melhorar. Um ditado hipócrita e covarde para quem mal ganha o seu tostão e ainda tem que se sensibilizar com frases que passam a responsabilidade do Estado ou quem quer que mande, para costas do contribuinte.

Como eu posso ajudar antes de ser ajudado? Como eu posso me comover com comunidades sem antes ter o respaldo de que estarei seguro e garantido na sociedade, para daí sim me mobilizar.

Não eu não tenho pena dos garotos que me assaltaram, tenho pena de mim, que tanto quanto eles sou apenas um número de CPF no SPC tentando meu espaço. O que eu sinto é desgosto em sonhar com um dia melhor e isso na verdade não acontecer. Desgosto da velha história se repetir.

O culpado disso tudo não é o governo, não é o assaltante. O culpado de tudo sou eu, é você, nossos país, avós que fizeram dessa grande coisa um lugar do jeito que esta sem nunca ao menos ter reclamado. Ligando sua televisão e fazendo isso que estou a fazer, ejaculando indignação. Porem não adianta reclama se a ação de volta não for recíproca. Não há como ter cidadania onde só existem interesses particulares.

Eu gostava tanto dos meus fones...