quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Violência Maquiada para os Cinemas


Com o vício ou tendência de se criar o hábito de consumo cada vez maior, a violência hoje em dia tornou-se artigo de compra nas melhores bilheterias do cinema. Sem perceber nós consumidores, injetamos dozes cavalares de banalidade para morte. Sem se dar por conta que a exploração da pobreza violência enriquece e entretém. Fazendo de nós coadjuvantes e sádicos ao assistirmos o sacrifício do próximo.

Na década de 20 filmes do Cineasta Luis Buñuel tinham a violência como forma de expressão, trabalhava mais a área sensorial dos espectadores. O intuito era causar desconforto e sensações em quem assistia, esse era o verdadeiro objetivo da arte que já fora esquecido.

O cinema para vender violência teve que por graça na coisa, teve que por purpurina, sombra e batom, ou seja, maquiá-la para que a cara feia e verdadeira de se levar um tiro no crânio não fosse tão ruim assim quando se come pipoca com a família.Vejamos alguns artifícios usados durante o processo de desenvolvimento:

O Humor é uma excelente ferramenta de persuasão para qualquer coisa, já ouviu falar naquele ditado, “o que você não pede rindo que eu não faço chorando?” Muitas cenas de violência tem antes delas momentos cômicos, amenizando o impacto em quem assiste. Pulp Fiction e Cidade de Deus possuem esse artifício.

Não se pode hoje em dia ter cena de tiroteio no cinema sem ter uma bela trilha sonora e muita musica boa. Mais uma vez relembrando Pulp Fiction filme que consagrou a violência como Cult e artigo de venda no cinema e Cidade de Deus, filmes que possuem dês de James Brow, Raul Seixas a Jonny Cash. Incrementado o visual de sangue, facas e tiros.

Somado aos sons temos uma espetacular e moderna edição de imagens, truques de cena, efeitos especais, cores absurdamente fortes e um excepcional trabalho de iluminação fotografia. Tanta informação ao mesmo tempo em que a mente humana não consegue absorver a primeira idéia que logo surge a segunda a terceira e não nos damos por conta.

Talvez o mais perigoso dos artifícios seja o que se ocorre em Cidade de Deus, a humanização dos personagens, fazendo que estes tenham uma aproximação com o espectador. Bené é traficante, mata rouba assalta, porém ele quer ser “playboy” comprar tênis e roupas de marca, se apaixona e deseja fugir com a sua amada, além de ser amigo de todos. Características de um cidadão que poderia ser eu ou você. Humanizando os personagens encontramos justificativas supostamente plausíveis para se matar, roubar e traficar assim o espetáculo foi ganho e aceito por você.

Independente de que você é ou faz, devemos aprender a filtrar quaisquer tipos de informação seja ela no cinema, novela ou em jornal. Tornando-a limpa para melhor utilizá-la. Ou você prefere comprar pipoca e refrigerante para assistir Ônibus 174? E continuar se divertido com representações de mortes e problemas reais na nossa vida? É claro que Cidade de Deus te sua importância social, mas iria funcionar se não houvesse um Busca- pé para traduzir a linguagem do morro para a Classe Média? Não podemos confundir arte com consumo. Não podemos confundir preocupações com diversão. A assista mas não se iluda com os valores.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008


Estava aqui pensando, será que minha preguiça ira me deixar escrever mais do que eu penso? Será que o que penso é relevante? Até mesmo para mim? Bem acabei escrevendo essa dúvida, mas cheguei a tal conclusão. Começar novos parágrafos...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

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Tive que ter sido assaltado, para me encorajar a fazer meu blog de exclamações e observações sobre o que eu penso e o quão insignificante, talvez, isso seja diante de um trinta e oito que gelara minha barriga. Nenhum sentimento me passou a não ser ejacular aqui o que em mim já estava amargando e que por preguiça mental (doença moderna que um dia nos levará a sermos iguais a vegetais) nunca tivera a coragem. Mórbido, mas devo agradecer àqueles que me puseram uma arma diante de tal realidade, estamos perdidos como sociedade, andando em esteiras sem alcançar e sentir o gosto do queijo da civilização. E talvez, neste país nunca alcancemos.

Não fora raiva, nem medo que me aflorara na mente no momento do assalto e sim inconformismo, cansaço e indignação. Não por ter um par de fones de ouvido e um mp3 roubados,e sim por saber que isso ocorre em qualquer canto do país e de não termos dentro do nosso território brasileiro a possibilidade de se comparar onde não há isso. Inconformismo e cansaço de saber que mais dois moleques irão me assaltar daqui um futuro próximo e muitos outros que por ai andam como eu.

Ai entra a velha balela, a culpa é das autoridades, as autoridades lavam as mãos tanto nessa situação quanto após apertarem as mãos do povo em período eleitoral. E assim uma mão vai lavando a outra. Eu no meu eterno pedágio para comunidade carente e sem oportunidade e eles vendando os olhos para aqueles que um dia irão por uma bala na cabeça de seus filhos. Preferem continuar com leis de segurança que nunca entram na moda, do que substituir as armas nas mãos de gente cada vez mais jovem que herdou a miséria e a falta de expectativa de vida.

Canso-me de ver em minha volta que o brasileiro deve ser solidário, que deve ser prestativo e ajudar ao próximo e que se cada um fizer a sua parte tudo vai melhorar. Um ditado hipócrita e covarde para quem mal ganha o seu tostão e ainda tem que se sensibilizar com frases que passam a responsabilidade do Estado ou quem quer que mande, para costas do contribuinte.

Como eu posso ajudar antes de ser ajudado? Como eu posso me comover com comunidades sem antes ter o respaldo de que estarei seguro e garantido na sociedade, para daí sim me mobilizar.

Não eu não tenho pena dos garotos que me assaltaram, tenho pena de mim, que tanto quanto eles sou apenas um número de CPF no SPC tentando meu espaço. O que eu sinto é desgosto em sonhar com um dia melhor e isso na verdade não acontecer. Desgosto da velha história se repetir.

O culpado disso tudo não é o governo, não é o assaltante. O culpado de tudo sou eu, é você, nossos país, avós que fizeram dessa grande coisa um lugar do jeito que esta sem nunca ao menos ter reclamado. Ligando sua televisão e fazendo isso que estou a fazer, ejaculando indignação. Porem não adianta reclama se a ação de volta não for recíproca. Não há como ter cidadania onde só existem interesses particulares.

Eu gostava tanto dos meus fones...